domingo, 23 de dezembro de 2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Trecho de: CEIFADORES - Anjo a face do mal II


LANÇAMENTO 17/03/2012, das 15:30 às 18:30h.
Livraria Martins Fontes
Av. Paulista, 509, Loja de artes – Fone: 2167-9000 (próximo à Estação Brigadeiro do Metrô). Convênios com estacionamento: Rua Manoel da Nóbrega, 88 ou 95, este último com serviço de manobrista. Primeira hora gratuita nas compras acima de R$ 10,00.



O que aconteceria se na Terra houvesse uma segunda espécie dominante?
Uma espécie sem um ancestral comum entre os homens,
Mas indistinguível dos seres humanos?
Uma espécie que, exatamente por isso, não possuísse o pecado original?
Seriam deuses ou amaldiçoados?~


 
 O menino corria distraído, prestando atenção apenas a um singular globo luminoso e transparente, que flutuava e parecia se manter fora de seu alcance. Ele pulou, na tentativa de agarrá-lo, mas se viu frustrado por uma menina, que corria atrás de um globo semelhante e que tentava a mesma coisa. Sem que notasse, ao pular, ela simplesmente deu um encontrão no menino, jogando-o literalmente dentro de um pequeno lago.

Por um segundo, o menino olhou espantado, surpreso com o ocorrido, com água escorrendo por seus cabelos, totalmente encharcado. As demais crianças, ao ver a cena, se puseram a rir como somente uma criança consegue, inocente e feliz, divertidas por verem o menino todo molhado.

Ele passou as mãos pelos cabelos, deixando-os escorridos, fazendo seus companheiros rirem ainda mais. Ele abriu um largo sorriso, também se divertindo com a situação, passando a espirrar água com as mãos em todos que podia alcançar. As crianças gritaram e saíram correndo, o menino se levantando prontamente e correndo em seguida também.

Esse era seu mundo, sua vida e existência. Brincar e correr, se divertir e ser feliz. Isso era tudo; não havia mais nada e mais nada importava. E foi nesse mundo de risos e felicidade, em meio à paisagem e às brincadeiras sem fim, que a voz se fez presente.

De súbito, uma leve brisa fria o atingiu nos ouvidos, como se alguém lhe assoprasse as orelhas. Em seguida, percebeu a voz em si, que o fez estancar em sua brincadeira. Ele não fazia idéia do que era, de onde vinha ou porque vinha, mas ainda assim, prestou atenção, mudo e estático, com um sentimento de que lhe falavam coisas muito importantes, mais importantes que os risos e as brincadeiras.

Não distante, outro menino, um pouco menor, e uma menina também deixaram a algazarra de lado. Os três ouviam a voz que lhes dizia o que teriam de fazer e por quê. Eles não entendiam o porquê de tudo aquilo, pelo menos por hora, mas ainda assim, souberam o que teriam de fazer.

E mais... que não haveria volta.

O menino já não sorria. Algo dentro dele desaparecera, perdido para sempre. Uma pequena parte de sua inocência se fora. Em breve, outras partes também se perderiam, e ele deixaria de ser um garotinho para se tornar um guerreiro, um dos mais temíveis guerreiros do Astral. Assim como outros antes dele, ele cumprirá seus deveres com a mais absoluta obediência e devoção, sem um único questionamento.

No entanto, apesar de tal postura inquestionável, quando por fim a missão estivesse concluída, ele e seus companheiros não poderiam retornar; seriam expulsos do Paraíso, do mesmo modo como tantos antes, ao longo do tempo. O destino a eles reservados seria a Escuridão Eterna.

Assim havia sido determinado e assim era, e o único alento que lhe restava era acreditar que tal desejo se enquadrava em um conceito maior de justiça, muito embora ele jamais viesse a entender que tipo de conceito seria. Dos três, em um futuro breve, o garoto menor e a menina não pensariam assim, mas por hora, eles ainda guardavam a inocência quase intacta.

Quase... no entanto, iria mudar.

E a voz se calou.

Por instantes, nada se alterou, porém, em seguida, veio o frio, fazendo-os tremer, a temperatura despencando veloz. O céu alternou a coloração, deixando o ensolarado azul vibrante para vestir um cinza escuro e sem brilho. Grossas nuvens tomaram o horizonte, um vento gélido soprando impiedoso.

Assustado, o garoto observou à volta, onde árvores frondosas agora se desfolhavam, se desprendendo como cascas de uma ferida, o verde amarelando e se ressecando. Sem que tivesse tempo para refletir, neve começou a cair lentamente e, em minutos, o branco passou a dominar a paisagem.

Em um gesto reflexo, o menino se abraçou, esfregando os braços com vigor, a pele arrepiada. A temperatura continuava a despencar de maneira nunca vista, e roupas ou agasalhos era algo desconhecido para eles. Ele se virou para os dois amigos, tão desnorteados quanto ele, procurando abrigo para se protegerem do frio. Olhou ao redor, buscando ajuda e apoio, percebendo, por fim, que não avistava mais nenhuma outra criança. Todos haviam se ido; eles se encontravam sós.

Uma lágrima escorreu-lhe pela face. Era a primeira que chorava. Seria a última.

De súbito, sem ruído ou aviso, os três desapareceram como se nunca tivessem existido naquele lugar, o lugar algum. Começava a lenta queda através dos planos intermediários daquilo que é chamado de Astral, o decaimento que lhes traria aprendizado e forjaria soldados disciplinados onde até a pouco havia crianças risonhas.

Mas servir tinha seu preço; perdas...
Perderiam a inocência e nunca mais retornariam ao lar.
Não havia volta.
Nunca houvera e nunca haveria.
Assim fora escrito e assim determinava a lei.
Sem perguntas.
Sem respostas.
Sem nada.

Nelson Magrini por Nelson Magrini:

Nelson Magrini é Engenheiro Mecânico, estudioso e pesquisador em Física, com ênfase em Mecânica Quântica e Cosmologia. Escritor, professor e consultor em Gestão
Empresarial e Cadeira Logística, além de Agente Literário, com serviços de Revisão Ortográfica e Gramatical, Preparação de texto (Copy Desk), Leitura Crítica e outros.


É autor de CEIFADORES – Anjo a face do mal II, ANJO A Face do Mal e Relâmpagos de Sangue (Novo Século Editora), de Os Guardiões do Tempo (Giz Editorial) e de ter participado das coletâneas Amor Vampiro, com o conto Isabella (Giz Editorial), e Anjos Rebeldes, com o conto Em Nome da Fé (Universo Editorial). Foi elaborador e colaborador do Fontes da Ficção.

nelson_magrini@yahoo.com.br